Emergência: Equipa paga a peso de ouro
Engenheira florestal é assessora do INEM
Desde que a nova direcção do INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica –, liderada por Abílio Gomes, tomou posse, em Fevereiro, que não param as contratações milionárias para fazer assessoria à presidência. As controvérsias internas criam um clima de mal-estar entre os funcionários, que dizem que a instituição já tem profissionais para essas funções. É o caso das admissões de uma engenheira florestal, de um médico interno de medicina, de um advogado, de um administrativo e de um elemento para o Gabinete de Planeamento.
Por:Cristina Serra
O gabinete de Comunicação do INEM declara ao CM que as contrataçõessurgem da necessidade de colaboradores. "Foi entendido admitir mais colaboradores considerando a execução do projecto de Requalificação das Urgências e para prestar melhor serviço à população."
A polémica com as contratações estoirou com a admissão da engenheira florestal, que recebe 3200 euros por mês, cujo percurso profissional nada terá a ver com emergência hospitalar, e de um médico interno de medicina, com um ordenado igual ao de um especialista, 17,50 euros à hora – 4200 euros mensais, por um horário de oito horas de trabalho diárias.
O clínico veio do Hospital de Torres Vedras, onde trabalhou o vogal Sá de Almeida. Este responsável passou pelo Hospital Curry Cabral,unidadeondetambém trabalharam dois dos novos funcionários – um administrativo e outro que ingressou no Gabinete de Planeamento.
Foi ainda contratado um elemento para a assessoria jurídica, apesar de o INEM já dispor de gabinete jurídico.
Questionado pelo CM sobre a necessidade de contratar uma engenheira florestal, o vogal Pedro Lopes – que vem da anterior administração – frisa: "Essas pessoas foram contratadas pela administração e o presidente entendeu contratar uma engenheira florestal, fê-lo, presumo, por ser pessoa da confiança dele." Adiantou que a técnica não está a exercer funções de acordo com a sua formação. "Faz assessoria, mas não como engenheira florestal."
DESFIBRILHADORES REGULAMENTADOS
A utilização pelos profissionais de saúde de desfibrilhadores automáticos externos poderá ser mais abrangente se avançar o projecto de decreto-lei que o presidente do INEM irá colocar à discussão pública. O documento estará disponível em Setembro no Portal da Saúde, site do Ministério da Saúde. OINEM vai ainda elaborar regulamentação para o funcionamento das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), que ainda não existe. Os projectos SIV e os helicópteros SIV continuam em marcha. A definição do Plano Estratégico para a Emergência Pré-Hospitalar está atrasada, apesar de estar em execução, com os necessários ajustes, que surgem na sequência da reestruturação da Rede das Urgências hospitalares.
NOVA CARREIRA EM EMERGÊNCIA
O Presidente do INEM, Abílio Gomes, admitiu ontem, em reunião com a direcção da Ordem dos Enfermeiros (OE), ser necessária formação específica para a intervenção na emergência pré-hospitalar. Esta posição teve o parecer favorável da Ordem que, em comunicado, diz que tudo fará para precaver eventuais reestruturações de recursos humanos naquela área, designadamente "se não for criado um patamar de exigência inferior ao que existe", facto, que, lê-se, "poderia ser um prejuízo para a segurança e qualidade da resposta aos cidadãos". No encontro, Abílio Gomes adiantou que "já iniciou o processo de definição das condições--base para o acesso à carreira" de emergência médica pré-hospitalar, trabalho que irá contar, assegura a OE, com as Ordens profissionais, médicos e enfermeiros.
APONTAMENTOS
ESTRANHEZA JURÍDICA
Estranheza é manifestada internamente no INEMpela intenção da administração em contratar os serviços jurídicos de um gabinete de advogados exterior à instituição, uma vez que a própria instituição dispõe de um gabinete jurídico.
DESTITUIÇÃO POLÉMICA
O fim das comissões de serviço de duas dirigentes – directora dos serviços administrativos e financeiros e directora dos recursos humanos – gerou tensão.
NÃO SÃO DEMISSÕES
O INEM diz "não se tratar de demissões, mas cessação de comissão de serviço" de funcionários que são quadros de outras entidades. "Após seis meses de avaliação, não responderam aos parâmetros de desempenho e competência".
FORMAÇÃO CARA
O INEM gasta 1,5 milhões de euros na formação de técnicos de ambulância de emergência, mas não contrata a maioria.
Perguntem ao Zé... Ao Zé Povinho que saberá responder e o Zé filósofo, também encontrará uma explicação, não fosse filósofo..