Cristian Decô e Tristan Bathory (à direita na foto) foram presos pela Unidade de Combate à Corrupção da Polícia JudiciáriaBurlão: Falso aristocrata belga acenava com investimentos milionários
‘Príncipe’ engana bancos e autarcas (ACTUALIZADA)
Pose altiva, impecavelmente vestido no seu fato e gravata, Tristan Bathory encarou jornalistas de forma solene, em 2005, e anunciou levar emprego e progresso ao Alentejo. ‘Príncipe da Transilvânia’, como se intitulou, prometia construir uma fábrica de aviões e exigia em troca a cedência dos terrenos a várias autarquias. O negócio quase pegou, mas o belga está agora preso, pela Polícia Judiciária, por suspeitas de burla qualificada, falsificação de duas garantias bancárias de 170 milhões de euros, branqueamento de capitais e associação criminosa.Aquilo que à primeira vista parecia uma boa intenção e um investimento promissor era uma enorme mentira. Tudo começou em Évora, quando Tristan e Cristian Decô, seu parceiro de investimento da empresa Falconwings, se deslocaram até à cidade para anunciar um investimento de 150 milhões de euros (ver caixa).
A demora na apresentação de garantias e o cancelamento de várias datas previstas para assinaturas levaram a Câmara de Évora a desistir do negócio. Os dois mudaram-se então de armas e bagagens para outras terras, tentando o mesmo golpe em Arraiolos, Ponte de Sor e Covilhã.
A investigação das intenções de investimento começou em 2006, quando o Millennium BCP e a Caixa Geral de Depósitos denunciaram às autoridades que os suspeitos tentavam negociar 2 garantias bancárias de 800 milhões e 60 mil euros, respectivamente. Tudo não passaria de uma enorme fraude.
Decô já havia sido interrogado pelas autoridades em 2008, mas fora colocado em liberdade. Acabou por ser detido em Fevereiro último. Bathory só agora foi interceptado. A investigação, a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, levou este último, 38 anos, a interrogatório no Tribunal Central de Instrução Criminal. Estão os dois em prisão preventiva.
O caso tem ainda um terceiro arguido, de nacionalidade portuguesa – e estão identificados pela Judiciária dois cidadãos espanhóis.
FALSO NEGÓCIO EM ÉVORA ERA DE 150 MILHÕES
'Não temos dúvidas quanto à rentabilidade do investimento, no que diz respeito à construção do avião de combate a incêndios, de 40 toneladas e de grande eficiência. São boas notícias para a região', dizia confiante Tristan Bathory, o auto-intitulado ‘Príncipe da Transilvânia’, quando em Setembro de 2005 esteve no Aeródromo de Évora para assinar o contrato de investimento de 150 milhões, acompanhado pelo cúmplice Cristian Decô. Em contrapartida, a autarquia cedia o espaço para a instalação da unidade da Falconwings, empresa de capitais belgas envolvida no negócio. A fábrica serviria para produzir quatro modelos diferentes de aviões ligeiros, com encomendas 'já garantidas' que criariam 2500 postos de trabalho, mas nunca houve acordo, nem dinheiro, nem empregos, muito menos aviões.
CONTERRÂNEO DO MÍTICO 'CONDE DRÁCULA'
Tristan Bathory assumia perante jornalistas, entidades e sociedade em geral que era príncipe da Transilvânia – a terra de ‘Vlad, o Empalador’, conhecido por ‘Drácula’ – que desde o final da II Guerra Mundial foi incorporada no território da Roménia. A Transilvânia já não é um principado há 300 anos: acabou por ser sucessivamente ocupada por austríacos, húngaros e turcos. Aquele local é associado à figura mítica do vampiro muito por culpa da literatura, em especial do livro ‘Drácula’, publicado por Bram Stoker em 1897, inspirado no implacável Vlad III, príncipe da Valáquia, que viveu no século XV.
PORMENORES
BRINDE COM CHAMPANHE
Na apresentação em Évora (2005) a dupla contou com a presença de autarcas, que brindaram ao novo investimento regional com champanhe.
PROIBIDO
Cristian Decô, interrogado em Junho de 2008, ficou proibido de contactar com autarcas.
PRÉ-ACORDOS
Os burlões ainda conseguiram pré-acordos para a cedência de alguns terrenos. Tristan tentou agora vir fechar um negócio a Portugal e foi preso.
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Espero que esteja mesmo preso. Ou ficará c/entidade e resid.c/apresentações. Vai pirar-se.
Conheço muito pelintra de gravata. O mal dos portugueses é julgarem os outros pelo que vestem. Mentalidades tacanhas!
Eu cá desconfio sempre dos enfatuados/engravatados, especialmente se andam de jipe. Esses são os mais perigosos...
Não é preciso ser BARÃO de fora, porque cá dentro temos muitos!!!! É só estar atento à oferta!!!
Como reza a História na minha terra quem tem olho é REI está tudo dito abram bem os olhos||
Sei d'um que também fez promessas pelo país e nem uma cumpriu, mas mais, repetiu as promessas e todos (36%) acreditaram.
Graças ás Autoridades Competentes que sempre são das melhores Mundo. Ao menos Valha-nos ísso,são unidos albertcosta.L
Isso não é novidade nenhuma, pois temos aqui pelintras melhores, só que alguns andam protegidos e maquilhados......
A gravata tinha assim tanta força?Mas a gravata não faz o monge.
construir aviões em Portugal? essa nem em Itália iriam inventar para surripiar dinheiro publico. prisão por estupidez