Opinião
Carlos de Abreu Amorim, Jurista
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Andres Cristaldo/EPA  Os centros de saúde aceitaram que alguns profissionais fossem dispensados do atendimento à gripeOs centros de saúde aceitaram que alguns profissionais fossem dispensados do atendimento à gripe
09 Novembro 2009 - 02h00

H1N1: Muitos clínicos invocam motivos pessoais para não ver doentes

Médicos ‘fogem’ do atendimento à gripe (ACTUALIZADA)

Algumas direcções dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) tiveram dificuldade na elaboração das escalas dos médicos para os Serviços de Atendimento à Gripe (SAG). Essa dificuldade deveu-se ao facto de muitos clínicos apresentarem justificações para não fazerem consultas aos doentes com gripe A, optando por prestar assistência aos outros pacientes que acorrem às unidades de saúde.

Segundo apurou o CM, em alguns casos o número de médicos que pediu a escusa de tais actividades, e foram dispensados, atingiu os 30 por cento do total dos profissionais. Os motivos invocados para justificar a dispensa no atendimento aos doentes com suspeitas de gripe A foram vários, entre os quais o facto de o próprio médico sofrer de problemas respiratórios (asma ou bronquite), uma doença crónica, ou ter a esposa grávida.

O Serviço de Atendimento à Gripe (SAG) dos concelhos do Seixal e Sesimbra é um dos exemplos. De um total de 114 médicos no quadro, 30 pediram para não fazer escala no SAG, o que foi aceite. O director Luís Amaro debateu-se com alguma dificuldade nas escalas médicas, mas entendeu as justificações: 'As razões invocadas são válidas e as escalas estão asseguradas.' A solução passou pela contratação de mais um médico em regime 'outsourcing', contratado a uma empresa de serviços.

As Administrações Regionais de Saúde têm conhecimento dos casos que alegam ter sido apenas 'situações pontuais', e garantem que as escalas dos SAG estão asseguradas.

PROFISSIONAIS RECUSAM A VACINA

A par do receio do contágio do novo vírus da gripe A, manifestado por médicos face ao atendimento dos doentes, a nova vacina que previne a doença, a Pandemrix, também suscita um receio por parte de um considerável número de profissionais de saúde. Apesar de o director-geral da Saúde, Francisco George, ter criticado recentemente os médicos e os enfermeiros da Linha Saúde 24 que vieram a público afirmar que não querem ser vacinados contra a gripe A, fazendo aumentar o sentimento de desconfiança da população face à segurança da vacina, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) tem conhecimento que essa recusa é significativa. O dirigente da FNAM, Mário Jorge, admite: 'Sim, temos conhecimento que muitos médicos optaram por não ser vacinados.' O CM apurou que no Hospital de Torres Vedras o director teve necessidade de apelar aos médicos, através de circular interna, para ponderar essa posição.

'É PRECISO PROTEGER OS COLEGAS'

O responsável pelos cuidados primários da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Luís Afonso, tem conhecimentos de algumas dificuldades nas escalas dos ACES. 'Aconteceu, mas neste momento está tudo ultrapassado.' O responsável salientou que 'há necessidade de proteger os colegas com algum problema de imunidade' e que 'não há interesse em ter médicos doentes, até porque esta situação da gripe A, que é uma doença benigna, vai prolongar-se uns três meses'. As ARS pediram aos médicos das Unidades de Saúde Familiares para reforçar as equipas dos SAG, o que foi aceite.

GRIPE VISTA À LUPA

9

doentes permanecem internados nas Unidades de Cuidados Intensivos. Uma criança morreu.

MORTES AUMENTAM

A Europa regista 389 casos fatais e 6005 no resto do Mundo devido ao novo vírus. 

'O CASO NÃO É PARA ALARME, MAS PARA SER VISTO COM TRANQUILIDADE E ALERTA', Francisco George, Director-geral da Saúde

DISCURSO DIRECTO

'ESFORÇO SUPLEMENTAR PEDIDO AOS MÉDICOS', Luís Pisco, Coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários

Correio da Manhã – Houve muitos médicos das actuais 203 Unidades de Saúde Familiar (USF) a pedir às direcções para não fazer o atendimento à gripe A?

Luís Pisco – Essa situação não se coloca dentro das Unidades de Saúde Familiares porque há sempre intersubstituição dos médicos. Isso significa que quando um profissional de saúde falta, por motivos de saúde, formação ou por uma questão de horário, a consulta ao doente é sempre assegurada por outro colega.

– Os médicos de família que integram as USF não fazem, então, o atendimento dos doentes que têm gripe A, ao contrário dos restantes médicos de família dos centros de saúde de modelo tradicional?

– Não, os profissionais de saúde são escassos, como se sabe, e por isso também temos médicos das USF que neste momento estão a reforçar as equipas que estão nos Serviços de Atendimento à Gripe (SAG) e dão um contributo com algumas horas.

– Nesse caso deixam desfalcadas as equipas das USF?

– É verdade, mas foram as Administrações Regionais de Saúde (ARS) que pediram para que os médicos das USF dessem esse contributo.

– Como está a correr a situação nas USF? Estão a sentir dificuldades nos recursos humanos?

– Há um esforço suplementar que está a ser pedido e os médicos estão a dar e que acaba por constituir, como era previsível, uma sobrecarga de trabalho muito grande para os médicos tanto para os que estão nas USF como para os que asseguram os SAG, mas que acaba por ser uma situação normal quando se vive uma epidemia.

– Como é feita a gestão das escalas de serviço dos médicos das USF que dão esse contributo de horas nos SAG?

– Essa gestão não passa pelas USF mas sim pelas Administrações Regionais de Saúde.




Cristina Serra
» COMENTÁRIOS
10 Novembro 2009 - 10h34  | raul
ordem dos medicos deve olhar pros que tem varios tachos hospit clinik privados e o resto que todos sabemos a minist sabe
10 Novembro 2009 - 10h29  | raul
medicos no desemprego abre o olho tem variados tachos no estado particular e ainda traficam so fale quem conhece a aceit
10 Novembro 2009 - 10h25  | raul
certo so em nos podemos confiar desconfiar sempre do visinho olho vivo politicos medicos presidents tantos so trafiko
10 Novembro 2009 - 03h17  | Joao, Canada
Onde esta o codigo de Etica? Medicos e nao ajudam os doentes? Merecem perder as licencas. Que medicos estes. Vergonha.
09 Novembro 2009 - 19h09  | Lince
Os doentes que não recebam tratamento adequado, deverão apresentar queixa na ordem dos médicos e na ARS.
09 Novembro 2009 - 14h45  | sccborges
Isto e uma pouca vergonha.. nao se admite!! Medicos a recusarem atender utentes? onde ja se viu isto? existem p que?
09 Novembro 2009 - 14h19  | abel alves
Este país é uma palhaçada.Políticos corruptos.Médicos relapsos.Não há quem ponha ordem nisto?
09 Novembro 2009 - 14h08  | Fernando Maria-Londres
Mais uns milhares para o ZÉ-POVO pagar,Igual ao Casa PIA Á que oferecer um DESPERTADOR ao P. Da REPÚBLICA
09 Novembro 2009 - 12h51  | m
Então mas não levaram com a vacina???????
09 Novembro 2009 - 12h47  | jesussa
D. Rosie a senhora deve ser médica ou tem familiares que o são e que a tratam bem. Deviam era tirar-lhes a licença.

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