O debate na SIC entre os dois candidatos a primeiro-ministro foi muito táctico e Clara de Sousa nunca perdeu o controlo da situaçãoDebate na SIC: Tacticismo e divergência total entre PS e PSD
Sócrates despede ministros
Tacticismo puro. Num debate marcado pela economia e pela contenção dos dois adversários, as novidades chegaram no fim. José Sócrates deixou claro que, em caso de vitória, haverá "novos ministros" e Manuela Ferreira Leite justificou com clareza que lhe chega uma maioria relativa. "Não faço chantagem sobre o eleitorado", afirmou.O debate começou com um tema a que chamaram ‘qualidade da democracia’ para abrir a porta à discussão da polémica 'asfixia democrática.' A líder do PSD procurou uma demarcação implícita de Sócrates, desgastado com as dúvidas sobre a sua vida académica e profissional. Por isso, puxou os seus próprios galões nesses terrenos para atacar a credibilidade de Sócrates, que contra-atacou com a polémica visita de Manuela Ferreira Leite à Madeira. Atacou, mas ao de leve pois nem este tema nem a ‘asfixia’ entraram a sério no debate.
Os dois candidatos avançaram logo para a economia, o terreno onde se jogam os interesses mais domésticos dos portugueses. Aqui, para lá das posições conhecidas de um e outro, Manuela Ferreira Leite marcou pontos na questão das reformas. 'Hoje os portugueses recebem 70 a 80 por cento do vencimento, mas daqui por uns anos vão receber apenas 50 por cento', afirmou, interpelando Sócrates para esclarecer o eleitorado sobre as consequências da reforma da Segurança Social. Sócrates não respondeu e atacou com a questão das portagens das SCUT. 'Defendia portagens nas SCUT e agora já não por oportunismo eleitoral', acusou. Nas portagens e na defesa dos investimentos públicos Sócrates conseguiu quebrar a determinação da líder do PSD mas este foi um debate em que Manuela Ferreira Leite esteve uns pontos acima dos anteriores confrontos.
FRASES
'Vai ser um novo Governo e vai ter novos ministros'
José Sócrates PS
'Não gosto dos espanhóis metidos na política portuguesa'
Manuela Ferreira Leite PSD
O QUE OS SEPARA
ECONOMIA
A líder do PSD diz que não há apoio às PME em tempos de crise. Sócrates diz que a prioridade foi a consolidação das contas públicas, o que foi conseguido em 2007.
TGV
Sócrates quer Portugal ligado à Europa por alta velocidade. Ferreira Leite não hesitou em dizer que se fosse primeira-ministra suspendia o projecto do TGV por falta de verba.
S. SOCIAL
O PSD admite que os reformados entreguem parte das suas prestações a fundos privados. O PS não abdica dos subsídios e prestações sociais dados pelo Estado.
O QUE OS APROXIMA
IMPOSTOS
Os candidatos concordaram que as duas governações fizeram fortes investimentos na máquina informática dos impostos, com a melhoria substancial da eficácia fiscal.
SCUT
Ambos os partidos estão de acordo com o facto de não introduzir portagens nas Scut. Ferreira Leite disse que as receitas das portagens seriam 'ridículas' face ao endividamento.
SNS
Sócrates e Ferreira Leite querem manter o Serviço Nacional de Saúde (SNS). A líder do PSD negou que queira privatizar o SNS, mas admite o contributo dos privados.
COLUNISTAS DO 'CM' COMENTAM O DEBATE
MAGALHÃES E SILVA, ADVOGADO
O primeiro-ministro fez o trabalho de casa e a dr.ª Manuela Ferreira Leite não e isso teve como consequência que, depois de um período inicial de equilíbrio, José Sócrates tenha controlado o debate. Acabou por se assistir à situação relativamente bizarra de ser a oposição a defender e o governo a atacar.
NOGUEIRA LEITE, ECONOMISTA
Foi surpreendente a mudança de posição do Partido Social Democrata sobre a questão das SCUT ...que espero que tenha sido um lapso. Tratou-se de um debate mais centrado nas críticas e inconsistências do passado do que em propostas concretas apresentadas para o futuro.
CARLOS A. AMORIM, JURISTA
O debate foi uma desilusão. Tenho de dizer, independentemente das minhas preferências partidárias, que Sócrates esteve abaixo do esforço. Para mim empataram. Se for verdade que os debates têm índices elevados de audiência e que podem ser decisivos, Sócrates precisava de ter vencido este.
LOUREIRO DOS SANTOS, GENERAL
Os dois hipotéticos primeiros-ministros ou estão em absoluto acordo com as políticas de Segurança, Defesa e Negócios Estrangeiros que existem actualmente, o que é bom, ou então consideram que estes são temas pouco relevantes para um debate público, o que me parece mau.
PEREIRA COUTINHO, COLUNISTA
Para as pessoas que preferem a fantasia, ganhou o eng. José Sócrates, mas para quem prefere a realidade ganhou a dr.ª Manuela Ferreira Leite. José Sócrates apresentou um País de fantasia, que pode continuar a endividar-se. Manuela Ferreira Leite teve uma visão realista e rigorosa do País.
MOITA FLORES, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
Foi arrasador. Sócrates dominou muito bem o debate. Tenho pena que a dra. Ferreira Leite tenha ficado desorientada e que não tenha tido a oportunidade de mencionar algumas propostas que o PSD tem na área da Justiça e da Segurança, que são bastante boas. Não correu nada bem ao PSD.
FRANCISCO JOSÉ VIEGAS, ESCRITOR E EDITOR
Já se sabia que José Sócrates iria atacar com as Scut e o modelo de Segurança Social. José Sócrates estava bem preparado e Ferreira Leite tentou desmontar, algumas vezes com sucesso. Quem esperava tirar conclusões deste debate, para decidir o seu voto, terá de esperar mais duas semanas.
PAULO NOGUEIRA, CRÍTICO DE TELEVISÃO
Telegenicamente, Ferreira Leite continua a parecer uma das meias--irmãs encalhadas da Gata Borralheira. E Sócrates parece o Pinóquio com uma lipoaspiração no nariz. Na oratória, Ferreira Leite é um gago a pronunciar 'otorrinolaringologista'. Sócrates parece o boneco e o ventríloquo.
RUI RANGEL, JUIZ DESEMBARGADOR
Foi um debate prudente. Achei sobretudo que o eng. José Sócrates esteve melhor, porque utilizou uma táctica em que pareceu quase que Manuela Ferreira Leite é que era a primeira-ministra. A líder do PSD marcou pontos no tema da governabilidade do País. O tema da Justiça foi a lacuna deste debate.
JOANA AMARAL DIAS, PROFESSORA UNIVERSITÁRIA
Foi um debate com muita parra e pouca uva: primeiro, falou-se muito de governos passados e pouco do presente, e quase nada do futuro; segundo, a crise e as políticas sociais foram relegadas para segundo plano; terceiro, os candidatos perderam-se em auto-elogios dispensando a autocrítica.
CANDIDATOS 'SATISFEITOS' NO FINAL
O secretário-geral do PS admitiu ontem ao sair do frente-a-frente com a líder do PSD estar 'muito satisfeito', considerando que o debate lhe 'correu muito bem'. Sócrates lamentou que a líder do PSD passe muito tempo a explicar ao País o que não deve ser feito e 'tempo nenhum a explicar aquilo que deve ser feito'. 'Entre a confiança e a descrença, a confiança e o negativismo, o pessimismo, eu julgo que os portugueses vão fazer uma opção e essa opção é uma opção eleitoral de primeiríssima importância', salientou. Manuela Ferreira Leite foi mais reservada nos seus comentários à saída do debate, garantindo que ela directamente não foi pressionada por socialistas 'mas há negócios que são ameaçados, empregos ameaçados', referiu. Admitiu ainda que há muita gente que é pressionável 'e vocês sabem quem são'.
FAMÍLIA FICOU FORA DO CONFRONTO
De fora do frente-a-frente entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite ficaram temas fracturantes, e que fizeram correr muita tinta, como o alargamento dos direitos sociais das uniões de facto (vetado pelo Presidente da República) aos que já se aplicam aos casados e o casamento entre homossexuais.
Ferreira Leite é divorciada há 19 anos de Rui Ferreira Leite e ainda usa aliança e José Sócrates está separado há nove, mas no que toca às uniões de facto, o PSD é mais conservador e considera que a família só se poderá constituir com o casamento. Para o sociólogo Manuel Villaverde Cabral, o tema também não seria assim tão importante para elucidar os portugueses e ajudar na decisão de voto: 'Este debate e outros têm sido pouco políticos e o que está em causa não é mais casamentos homossexuais ou direitos para as uniões de facto ou até menos TGV, mas o governo do País.' Villaverde Cabral sublinhou o facto de não terem sido abordados outros temas importantes. 'Não se falou das soluções para resolver o problema do endividamento das famílias, ou das empresas estrangeiras que fecharam e que não voltam', disse, argumentando que Sócrates e Ferreira Leite estiveram a 'empurrar os problemas com a barriga'.
REACÇÕES
'COM SÓCRATES É MAIS DO MESMO': B. Picanço Presidente do STE
Com Sócrates é mais do mesmo. Numa crise, se continuamos a apostar nos subsídios e nos grandes investimentos, não há desenvolvimento que salve o País.
'JUSTIÇA E SEGURANÇA SEM UMA PALAVRA': Carlos Anjos ASFIC
É grave que os dois candidatos a primeiro--ministro não tenham dedicado uma única palavra à Justiça e Segurança, quando todos sabemos os problemas que essas áreas atravessam.
'ESQUECEM IMPACTO NAS EMPRESAS': Manuel Agria ANEOP
Não houve novidades (sobre investimento). Ferreira Leite disse que suspendia o TGV. São afirmações que esquecem o impacto que têm nas empresas, nas PME, no emprego.
'DIMINUIU O ACESSO A CUIDADOS DE SAÚDE': Guadalupe Simoes SEP
Apesar do que José Sócrates diz, notamos que diminuiu o acesso a cuidados de Saúde no País. Manuela Ferreira Leite defendeu a privatização da Saúde, o que é preocupante.
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Ele despede agora ja no final da legislatura. Mas se for reeleito, volta admiti-los para ministros. Quero ver isso...
Para mim quem ganhou o debate foi sem duvida a Clara de Sousa
Faz-me dó vê-lo agora com um ar tão cândido a despedir ministros. Depois da casa roubada, trancas na porta! É tarde...
Sócrates mentiu aos portugueses de forma sistemática!Parece que alguns se sentem bem assim.Nós temos a solução!Votem!
Todo o debate a enumerar maravilhas deste "governo". No final DESPEDE todos os ministros.E esta, hem!?
Não me venham falar de empates. F. Leite foi humilhada à vista de todos e só quem palas nos olhos não viu isso.
A maioria dos comentaristas e politologos profissionais parece já obedecerem a quem lhes paga em detrimento da s/opinião
Como estes ministros já teem direito a uma boa reforma há que substituir.Não se eskeçam o da justiça,educação,saude etc,
O Sr. Simões anda enganado. Quem começou com esta crise foi o Guterres do PS. Nestes últimos 14 anos de 11 foram PS.
O Sr. Simões anda enganado. Quem começou com esta crise foi o Guterres do PS. Nestes últimos 14 anos de 11 foram PS.