Banco de Portugal revê em baixa previsões
Crise instalada na economia portuguesa
O Banco de Portugal reviu esta terça-feira em baixa acentuada a previsão para a evolução da economia portuguesa em 2009, que deverá registar um crescimento negativo de 3,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o que significa uma forte recessão.
De acordo com os dados do boletim económico de Primavera apresentados por Vítor Constâncio, a economia portuguesa só deverá recuperar quando a economia europeia começar também a crescer. O recuo do PIB é justificado, sobretudo, com as fortes quebras registadas no investimento (-14,4 por cento) e nas exportações (-14,2 por cento).
Recorde-se que a previsão anterior do Banco de Portugal, avançada a 6 de Janeiro, apontava para uma queda de 0,8 por cento da actividade económica, sendo que a revisão agora anunciada agrava essa queda em 2,7 por cento.
A previsão de crescimento negativo da economia portuguesa em 3,5 por cento do PIB é mais forte que o esperado pelos analistas, que estimavam um recuo de 3,0 por cento.
Segundo alertou Vítor Constâncio, é ainda preciso que o Governo faça face ao desemprego esperado e a situações de dependência que deverão ocorrer numa situação de crise como a actual.
O único dado positivo nas previsões anunciadas no boletim económico de Primavera refere-se à poupança das famílias, que deverá aumentar de 6,2 por cento para 9,0 por cento do rendimento disponível.
REACÇÕES
'Neste momento, temos as previsões do Banco de Portugal e é para elas que devemos olhar.O Governo apresentará as suas revisões em momento oportuno', Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças.
'A economia portuguesa irá registar o pior desempenho económico em 34 anos' - Miguel Frasquilho, deputado do PSD.
'Exige-se que o Governo comece a falar claro e que não ande a reboque das perspectivas e quadros macroeconómicos que depois são desmentidos' - Honório Novo, deputado do PCP
'Vamos de pior previsão em pior previsão e temos estas previsões de hecatombe do Banco de Portugal no mesmo dia em que a Qimonda anunciou o despedimento de mais trabalhadores' - Ana Drago, deputada do Bloco de Esquerda
A crise Portuguesa começou quando adotamos o Euro que nos subiu muito á cabeça. Faltou muita humildade.