Cascais: Jovem em coma mas a mãe não corre risco de vida
“A minha filha não se safa”
O olhar fixo no vazio mostra a incredulidade com que encara a tragédia que põe em risco a vida da filha mais nova e que feriu gravemente a mulher, Lizete. "Os médicos disseram-me que a minha filha já não se safa. Tem duas balas alojadas na cabeça, num sítio melindroso. Disseram- -me para me mentalizar de que ela já não vai sair do coma, só se for para morrer", desabafa Alfredo Junqueiro.
Por:Ângela Lopes
O pai da rapariga de 19 anos que foi baleada, em sua casa, com dois tiros de uma 6.35 mm na cabeça, pelo ex-namorado, só lamenta não ter agido há mais tempo. 'Ele andava sempre a bater na miúda e eu devia era ter acabado com ele, ao menos isto não acontecia.'
Cátia foi a vítima mais grave da tripla tentativa de homicídio seguida de suicídio encetada por Victor Hugo Henriques, jovem de 21 anos que conheceu há três anos na internet e com tem um filho, Diogo, com pouco mais de um ano. Até à hora de fecho desta edição, a jovem continuava internada no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, e só as máquinas ajudavam o seu coração a bater. A mãe, Lizete Junqueiro, de 49 anos, foi operada de urgência ainda na noite de terça- -feira, para retirar a bala que a atingiu na cabeça, e está fora de perigo. 'Ela está muito sonolenta por causa da anestesia e ainda nem percebeu a gravidade da situação', avança Alfredo.
O trágico episódio que deixou Cátia às portas da morte passou-se nas Fontainhas, concelho de Cascais, pelas 19h30 de terça-feira, e já se fazia adivinhar, dadas as várias cenas de perseguição, agressões e ameaças protagonizadas pelo homicida no último ano.
Victor andava sempre a rondar a casa. 'Há mais de duas semanas que a Cátia não saía de casa. Tinha medo dele. Eles nunca estiveram juntos, só tiveram um filho em comum. Mas ele recusava ficar sem ela, batia-lhe e ameaçava-a', conta Paulo Freitas, tio da jovem, acrescentando que há dias Cátia recebeu um aviso via sms: 'Se não ficas comigo, não vais ficar com mais ninguém. Vais pagá-las.'
CRIMES TERÃO SIDO ESTUDADOSA porta do 446 da Rua das Fontainhas está sempre aberta. Victor sabia disso e tinha os passos da família Junqueiro bem estudados. Na terça-feira esperou que Vanessa – irmã mais velha de Cátia – chegasse do trabalho para conseguir entrar em sua casa. 'Eu estava a pôr as chaves à porta quando sinto uma pistola nas costas. Ele já estava escondido no terceiro andar', conta Vanessa ao CM. Victor entrou no 2.º direito, dirigiu-se à cozinha e foi buscar o tio de Cátia, José Eduardo Junqueiro. Levou-o para a sala e começou a disparar, quase sem proferir palavra. Primeiro acertou de raspão na testa de José, depois em Lizete, que segurava o seu filho no colo, e antes de se matar atingiu Cátia com dois tiros na nuca. José safou-se porque se fingiu de morto. 'Havia sangue por todo o lado. Vi tudo, só não vi o que ele fez à minha irmã porque fugi com os filhos dela para a marquise', recorda Vanessa, ainda incrédula por ter escapado ilesa.
FILHO DE VÍTIMA COM OS PAIS DE AGRESSORDiogo Henriques tem apenas um ano e três meses de vida. Estava ao colo da avó Lizete, a mãe de Cátia, quando o seu pai disparou contra a mesma. O tiro atirou--a para fora do sofá de onde estavam a ver televisão. A criança caiu-lhe dos braços e só não assistiu à morte da mãe porque a tia Vanessa a resgatou e a levou para a marquise. Por volta das 22h00 de terça, Jorge e Teresa, os avós paternos, foram buscá-lo às Fontainhas para o levar para sua casa, na Avenida Maria Lamas, na Serra das Minas, em Sintra. 'A casa estava cheia de sangue, ele não podia ficar aqui', diz Vanessa ao CM. A família de Cátia garante que Victor Hugo 'nunca quis saber do filho e nunca lhe deu nada'. 'Os avós é que vinham buscá-lo aos fins-de-semana. Mas o pai estava sempre aqui à porta', afirma Vanessa.
PORMENORESOUTRO FILHO MENOR
Ontem de manhã, Pedro – o filho mais velho de Cátia e fruto de uma relação anterior – foi para a creche mas está traumatizado. 'Ele viu tudo, coitadinho, e hoje (ontem) só falava de sangue', conta Vanessa.
QUEIXAS POR AGRESSÃO
Segundo a família de Cátia, a jovem foi agredida várias vezes e fez sempre queixa de Victor na PSP de Cascais.
IRMÃO FAZ AMEAÇAS
Um dos irmãos de Victor foi ao local do crime na terça-feira a pedir satisfações. 'Queria saber quem matou o irmão e disse-nos que isto não ficava assim. Alertámos a PSP, mas disseram que nada podiam fazer. E se ele faz o mesmo que o irmão?', questiona Paulo Freitas.
LIGOU AO MARIDO
Mesmo depois de ser baleada, Lizete ainda conseguiu ligar a Alfredo Junqueiro a contar o que tinha acontecido.
não se pode justificar a ação do miudo referenciando-se a ser de outra cultura, infelizmente indoles más há em qualquer pais vitoria brasil