Porto: Jovem que filmou incidente também sai da escola
Alunos transferidos
Patrícia e Rafael, a aluna que agrediu a professora de Francês na Escola Secundária Carolina Michaelis e o colega que filmou o incidente, foram transferidos de escola. Os alunos conheceram ontem a sanção, mas ainda não sabem qual é o estabelecimento de ensino que vão frequentar. "Não quero falar disso", disse o jovem ao CM, enquanto a mãe de Patrícia também foi parca em palavras.
Por:Manuela Teixeira
'Ainda não há decisão', assegurou ao final da tarde, já depois de conhecer a decisão do conselhoexecutivo.
O incidente deixou todos destroçados. Rafael, contactado ao princípio da noite pelo CM, mostrou-se reservado, escusando-se a fazer comentários. Foi apanhado no meio de um incidente em que só estava envolvido de forma indirecta e sofreu igualmente uma pesada sanção.
Ainda segundo o CMapurou, Patrícia e a mãe foram ontem chamadas à escola, para mais uma reunião com o conselho executivo. Em causa estava a versão apresentada pela professora, no processo interno desencadeado pela escola. Adozinda Cruz terá confirmado que autorizou os alunos a manterem os seus telemóveis ligados, permitindo-lhes inclusivamente que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem, atendendo uma chamada da mãe.
A professora garante que a situação se precipitou nessa altura, depois de a jovem se ter recusado a entregar-lhe o aparelho.
Durante o dia de ontem, os pais de Patrícia tentaram que a filha não fosse demasiado penalizada pela sua indisciplina, conhecida devido ao vídeo gravado por Rafael.
Entretanto, o Ministério Público decidiu instaurar um processo contra a jovem, para averiguar se no confronto com a professora foram praticados crimes de ofensas corporais ou de injúrias. A decisão deixou ainda mais abalada a mãe de Patrícia.
Por seu lado, a professora de Francês que foi alvo da fúria de Patrícia confirmou que vai regressar normalmente à escola na segunda-feira.
A turma do 9.º C é composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares. Segundo docentes do Carolina Michaelis, desde o início do ano lectivo que a turma marcou a diferença pela negativa.
Entretanto, Jorge Coelho contou no programa ‘Quadratura do Círculo’, transmitido ontem na SIC Notícias, que uma sua amiga professora foi alvo de uma situação semelhante e também por causa de um telemóvel.
Já em Janeiro de 2007, o ex-ministro tinha revelado ao CM que a sua amiga ficou 45 minutos sequestrada na sala de aulas pelo namorado de uma aluna, sob a ameaça de uma faca. O rapaz exigiu um telemóvel que a docente tinha retirado.
MEDIDAS TUTELARES EDUCATIVASComo Patrícia tem 15 anos, não pode ser criminalmente responsabilizada por qualquer acto que seja uma violação da lei geral. Por isso o processo vai ser tratado pelo Tribunal de Menores, que terá que avaliar o comportamento de Patrícia de forma oficiosa e a título preventivo. Patrícia, os pais, a professora e os colegas de escola envolvidos no conflito serão ouvidos no processo. Caso a aluna seja responsabilizada por alguns dos actos que estão em causa – agressão e injúrias – poderá ter que cumprir uma medida educativa. De acordo com o Regime Tutelar Educativo dos Jovens Infractores, há oito medidas a aplicar consoante a gravidade dos factos. A advertência policial, a admoestação judicial, a reconciliação com o ofendido, a imposição de regras de conduta, o serviço a favor da comunidade e o acompanhamento educativo são as medidas menos gradualmente penosas. No caso de jovens que praticam actos mais graves ou que sejam reincidentes, as medidas vão desde a colocação numa unidade de residência temporária até, em casos de extrema gravidade, ao internamento em instituições especializadas sob a tutela do Estado.
Inadmissível télém. n aula. Por isso a escola queria abafar assunto. A prof devia ser transferida. A Patrícia foi tão incorrecta q deveria ser acompanhada p outra pessoa q pais. O Rafael, não compreendo. 1 vez q tinha direito ao télémóvel, utilizou-o da melhor maneira e no momento exacto. Foi preciso um adolescento para q os profs talvez voltem a recuperar autoridade. Parabéns Rafael. Montreal