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Manuel Moreira  Dinheiro, ouro e outras jóias da família estarão na origem do crime no bairro Almeida Araújo, em Queluz   Dinheiro, ouro e outras jóias da família estarão na origem do crime no bairro Almeida Araújo, em Queluz
19 Novembro 2009 - 00h30

Sintra: Vizinhos e inquilinos não deram por assalto violento em moradia até à chegada da Judiciária

Torturada e esfaqueada até à morte para dar jóias

Zulmira Delgado, viúva de 61 anos, saiu para tomar café na segunda-feira, tal como fazia todos os dias depois do almoço. Pelas 15h00 voltou a casa e nunca mais deu notícias.

O silêncio durou mais de um dia, até que a filha, estranhando o facto de a mãe não atender o telefone, se dirigiu ao final da tarde de anteontem à moradia em frente ao Palácio de Queluz, Sintra. Meteu a chave à porta e encontrou um cenário de terror: a mãe estava morta e atada a uma cadeira na sala de jantar. A casa toda revirada, o golpe profundo na garganta e várias facadas pelo resto do corpo não deixavam dúvidas. Zulmira tinha sido torturada durante horas e barbaramente assassinada. Na origem do crime estará uma tentativa de roubar as jóias da família.

Segundo o CM apurou junto dos inquilinos de Zulmira – o edifício, propriedade da vítima, tem quatro fracções e duas delas estavam arrendadas –, ninguém se apercebeu da presença de estranhos, nem ouviu qualquer barulho (ver caixas). Aliás, nenhuma das portas que dá acesso à habitação foi forçada, o que leva a crer que os autores (ou autor) eram conhecidos da vítima ou aproveitaram uma janela que ficara aberta para o cão entrar e sair.

"É estranho e triste. Ela era uma senhora muito doente, que já tinha sido operada duas vezes ao coração. Não percebo como é que alguém é capaz de fazer uma coisa destas", lamenta ao CM a vizinha de cima, Maria da Luz Janeiro.

O crime violento era ontem motivo de conversa em todo o bairro Almeida Araújo, uma zona de moradias em Queluz que é habitada principalmente por idosos. "Só nos apercebemos do que tinha acontecido quando vimos a Polícia Judiciária à porta de casa. É assustador pensar que os malandros que fizeram isto ainda podem voltar", confessa António Pereira, morador na mesma rua onde ocorreu o crime.

A Secção de Homicídios da PJ recolheu indícios no local e, para já, tem várias pistas em aberto.

QUARTO PARA ALUGAR É UMA DAS PISTAS DA PJ

Uma das hipóteses avançada pelos vizinhos e restantes inquilinos da moradia para justificar a ausência de sinais de arrombamento é o facto de Zulmira Delgado ter uma das fracções livres. "Se calhar foi alguém que veio ver a casa e depois lhe fez uma coisa destas", diz Maria da Luz Janeiro, recordando que nas últimas semanas várias pessoas já tinham visitado o espaço. A hipótese está a ser investigada, uma vez que na porta nº 2 era ontem visível uma cortina presa do lado de fora. "Aquilo não é normal. Só pode ter sido alguém a entrar ou a sair à pressa que deixou a cortina assim." A fracção, no rés-do-chão, dá acesso pelo interior ao primeiro andar onde vivia Zulmira.

FILHA ENCONTROU CADÁVER HORAS APÓS A MORTE

Segundo o CM apurou, foi a filha de Zulmira Delgado, de 40 anos, quem descobriu o corpo amarrado a uma cadeira ao final da tarde de anteontem e alertou a polícia. A temperatura e a rigidez corporal do cadáver levam a crer que a mulher terá morrido entre a tarde e a noite de segunda-feira e os indícios apontam para que os autores (ou autor) do crime tenham saído da casa ainda de noite, antes de os vizinhos acordarem. Por apurar está ainda o que foi roubado de casa da vítima – embora tudo aponte para que o alvo fossem jóias –, uma vez que o rasto de destruição deixado não permitiu descobrir rapidamente o que faltava na habitação.

"SEI LÁ SE O BANDIDO VOLTA..."

Maria da Luz Janeiro, 72 anos, vive com o marido no primeiro andar da casa que era propriedade de Zulmira Delgado. Apesar de viverem mesmo por cima da vítima mortal, garantem ao CM que não ouviram nada, uma vez que ambos têm problemas auditivos.

Por essa razão, confessam ter medo de ser surpreendidos da mesma forma que a vizinha. "Nem imagina o medo que sinto. Sei lá se o bandido que fez isto não volta logo à noite e nos faz o mesmo sem que a gente dê por nada."

No exterior, o medo é semelhante. "Isto é um bairro muito calmo, onde vivem sobretudo pessoas com alguma idade. Nunca tinha acontecido nada do género, por isso é natural que as pessoas agora fiquem com medo", afirma um morador ao CM. "Parece que os problemas do centro de Queluz, onde há assaltos todos os dias, estão a chegar aqui", lamenta.

PORMENORES

CÃO NÃO LADRA

Para os vizinhos, o mais estranho foi o cão não ter ladrado: "Sempre que um estranho entra no prédio ele começa a fazer barulho. Ontem nem se ouviu."

PORTA ABERTA

Zulmira Delgado "deixava sempre a porta do pátio aberta para o cão poder entrar e sair, por isso o assassino pode ter entrado por aí". A mesma porta foi alvo de peritagem por parte da PJ.

VIVIA SOZINHA

A vítima mortal ficou viúva há cerca de cinco anos, quando o marido, Mário Delgado, teve um ataque cardíaco enquanto conduzia.

VISTA NO CAFÉ

Zulmira Delgado "ia todos os dias, depois do almoço, tomar café com as amigas" num estabelecimento próximo. Foi aí que foi vista com vida pela última vez.




João C. Rodrigues
» COMENTÁRIOS
22 Novembro 2009 - 22h20  | FILHO DA ESCOLA
Se isto é democracia, prefiro a DITADURA. V I V A S A L A Z A R
19 Novembro 2009 - 23h30  | Pedro
E viva o 25 de Abril , foi para isto que os comunas o fizeram
19 Novembro 2009 - 20h13  | fernando manuel
um bairro tao antigo onde eu nasci e nunca se vê a policia por aquelas bandas
19 Novembro 2009 - 19h20  | António Saraiva
Antes do 25 de Abril 1974 não hav- ia nada parecido.Tenho saudades.
19 Novembro 2009 - 18h48  | Luis Almeida
Temos de acordar para estes problemas e exigir mais segurança.
19 Novembro 2009 - 18h06  | silveira
É este o Estado de Direito de que o sr. Francisco Assis fala? Este Estado de Direito "fragilizado"? Tenham vergonha!!!
19 Novembro 2009 - 17h17  | Avelino Dinis (V. Real)
Aos autores deste macabro crime, sei o que lhe faria mesmo com toda a lei a impedi-lo.
19 Novembro 2009 - 14h07  | jo
hum!!!o cao nao ladrou?alguem conhecido?os meus pesamos à familia,mas aqui hà gato.
19 Novembro 2009 - 13h42  | BADMENDÂO
A quem fez isso apenas lhe dava um tiro na testa com a arma encostada. Porquê perder tempo com quem não merece
19 Novembro 2009 - 13h16  | nuno domingos
eu moro nesse bairro e fiquei estupefacto com o que aconteceu,mas uma coisa garanto alguem vai pagar por isso.

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