Lisboa: Secção de combate a crimes sexuais da judiciária apanhou pedófilos
Casal viola filhos menores
Os jogos sexuais a dois eram uma constante entre ‘Ana’ e o marido, casal de larga imaginação e ávido de levar à prática todas as fantasias. Entre elas o sadomasoquismo. Só que foram longe de mais – e, um dia, a mulher acedeu a levar os seus filhos menores para a cama do casal. As duas crianças tinham oito e 11 anos quando foram forçadas a fazer parte da vida sexual da mãe e do padrasto. Foram dezenas de vezes violadas pelos dois, durante ano e meio, até que a secção de combate aos crimes sexuais da Judiciária de Lisboa pôs fim ao pesadelo na última semana.
Por:Henrique Machado / J.T.
A sorte destas duas vítimas, uma menina actualmente com dez anos e o irmão com treze, foram as dificuldades financeiras que entretanto começaram a asfixiar a vida do casal de pedófilos. Viram-se forçados a abrir mão das duas presas sexuais, menores que já não conseguiam sustentar, e há cerca de quatro meses a mãe das crianças foi entregá-las à guarda da avó, também a viver na Grande Lisboa.
Continuaram a frequentar a sua escola com normalidade – local onde professores e funcionários nunca sequer desconfiaram de que aquelas duas crianças estivessem há dois anos a sofrer em silêncio – e até à avó materna tiveram medo de contar as violações a que eram sujeitos em casa da mãe e do padrasto.
Os dois irmãos fecharam-se em copas – 'face à idade, ainda sem uma perfeita noção da gravidade dos crimes a que foram sujeitos, como muitas das vezes acontece nestes casos', adianta ao CM uma fonte judicial. Até porque um dos agressores é a própria mãe, que sempre viram como uma 'figura protectora' e a quem cedo se habituaram a obedecer de forma cega. Por vezes, quando estavam os dois, questionavam-se entre si sobre os actos a que eram sujeitos.
Passaram quatro meses até que, nas últimas semanas, ‘Ana’ e o marido ganharam algum desafogo financeiro – ela, sem profissão definida, através de pequenos biscates; ele, enquanto operário da construção civil.
O primeiro impulso do casal de pedófilos foi resgatar as duas crianças, mas nessa altura estas ficaram aterrorizadas. Não quiseram voltar ao local do crime, onde eram sujeitas a todo o tipo de sevícias. A avó estranhou e, após grande insistência, conseguiu que os netos, aos poucos, lhe contassem tudo.
Em vez de confrontar a filha e o genro com os crimes, a avó dos menores foi directamente à PJ de Lisboa. Os investigadores não tiveram dúvidas sobre a veracidade do que lhes foi contado pelas crianças e os próprios pedófilos acabaram por confessar. Ontem à noite ainda estavam a ser interrogados pelo juiz.
VIOLAVA FILHAS DE 5 E 6 ANOS
Carlos Correia, o ‘monstro de Samora Correia’, foi condenado a 22 anos de prisão depois de ter confessado que abusava das duas filhas desde que tinham 5 e 6 anos.
ABUSADA PELA MÃE E PADRASTO
Com apenas dez anos, ‘Ana’ começou a ser abusada sexualmente pela mãe e padrasto, em Espinho. Foi a escola que denunciou o caso à Comissão de Menores em Março.
ENFORCA-SE APÓS VIOLAR FILHAS
Um homem enforcou-se na cadeia depois de detido por suspeitas de violação das filhas, de 12 e 13 anos. A mulher, ameaçada de morte, denunciou o caso à PJ.
DESMANTELADAS REDES NOS EUA
Nos EUA, bem como em alguns países europeus, têm sido desmanteladas várias redes de pedofilia, que trocam informações e fotografias de crianças através da net.
REGRESSO A CASA PARA PROTEGER AGRESSOR
Regressar a casa, mesmo depois de se ter vivido uma vida de agressões, como no caso de Almeirim, é algo que acontece com frequência. O psicólogo Daniel Cotrim, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), diz que o regresso acontece, muitas vezes, 'por medo de represálias'. 'É uma forma de proteger o agressor, mas corre-se sempre o risco de as agressões continuarem'. Além de que os centros de acolhimento não são muito bem vistos. 'As pessoas têm ideia de que são prisões, no entanto, são locais para que as vítimas se possam sentir seguras'. É fundamental que a vítima seja aconselhada a como agir em determinadas situações.
'PARTICIPAÇÃO DOS DOIS PAIS É COMUM': Álvaro Carvalho, Psiquiatra
Correio da Manhã – Como se explica a violação de duas crianças pelos próprios pais?
Álvaro Carvalho – Esta é uma problemática que atinge todas as classes sociais, em que pode haver a conivência de um dos pais ou a participação activa de ambos. Cada caso é diferente e só os que são denunciados são passíveis de análise.
– A participação tanto do pai como da mãe é comum?
– É mais do que as pessoas julgam. Não é assim tão invulgar.
– Como se podem definir estas pessoas?
– Os agressores têm de ser pessoas perturbadas e instáveis emocionalmente. Em muitos destes casos, percebe-se que uma das pessoas envolvidas foi abusada quando era nova, mas isso não justifica tudo.
– Que consequências podem as crianças vir a sofrer?
– Um episódio destes é sempre emocionalmente traumático, ainda mais para duas crianças tão novas – oito e dez anos. A repercussão emocional é negativa, pois foram abusadas e disso nunca mais se vão esquecer.
'EU E O MEU VIVÍAMOS COMO MARIDO E MULHER'
‘Teresa’, que terça-feira foi socorrida no Hospital de Santarém por ter sido agredida com uma mangueira pelo pai, ‘António’, apresentou queixa na polícia. Disse que mantinha uma relação sexual incestuosa há quatro anos com o pai, que este a violava constantemente – e que inclusive tiveram um filho, dado para adopção. ‘Teresa’ passou a noite na Cruz Vermelha do Cartaxo e, já na casa da Azeitada, Almeirim, onde os supostos abusos aconteceram, começou ontem por confirmar tudo ao CM. Horas depois, a partir do local onde também vive o suspeito, contactou o nosso jornal para negar os crimes, alegando que só apresentou queixa do pai à polícia sob coacção da mãe.
O CM começou por falar com o pai, ‘António’, no local. 'Não sou um animal. Nunca toquei na minha filha sexualmente, mas confirmo que lhe bati. Faz-me a vida negra.'
Minutos depois ouvimos ‘Teresa’ à porta da vivenda onde o pai é caseiro: 'Eu e o meu pai vivíamos como marido e mulher. Era o meu amante. Adorava fazer amor com ele. Mas algumas vezes forçou-me a ter relações, ele abusou de mim', disse, no dia em que fez 21 anos. 'O bebé que tive é do meu pai mas está registado como de pai incógnito.'
De regresso a Lisboa, a reportagem do CM foi surpreendida por um telefonema de ‘Teresa’. 'Tudo o que vos contei e à polícia é mentira. Isto é vingança da minha mãe, que me pediu para vir viver com o meu pai e para me envolver com ele e acusá-lo de violação. Tive o filho de outro homem para dizer que era do meu pai. Estou arrependida'.
PORMENORES
ANIVERSÁRIO
‘Teresa’ completou ontem 21 anos, sem bolo, sem festa, sem alegria. 'Só queria uma vida normal, feliz.' O pai recusou-se a dar-lhe os parabéns.
ESCONDIDA DO PAI
‘Teresa’ começou a dar-se com o pai aos 15 anos. 'A minha mãe escondia-me dele, dizia que era drogado e não queria saber de mim.'
NOTAS
AZEITADA: MARIDO E MULHER
A primeira pessoa da Azeitada com quem o ‘CM’ contactou, quando tentava ontem chegar até à vítima e agressor, estava convencida de que estes eram marido e mulher e não pai e filha
VINGANÇA: REAPROXIMAÇÃO
Para ‘António’, a filha quer vingar-se dele pelo facto de não viver com a mãe dela. 'Ela quer à força que nós estejamos juntos. Basta aproximar-me de uma mulher para haver problemas'
2006: NASCIMENTO DO FILHO
Em 2006, ‘Teresa’ foi mãe de um rapaz, dado para adopção à Casa do Gil. A jovem confirmou ao ‘CM’ que o filho era do pai, mas posteriormente afirmou que era de outro homem
simplesmente repugnante,como é que uns pais teem a coragem de fz isto a alguem?e ainda por cima aos proprios filhos.