Incidentes: Judiciária chamada à investigação pelo Ministério Público
Agente foi atingido por tiros de colegas
Horas depois de a operação policial ter culminado com cinco detenções e ferimentos num polícia, surgem as primeiras dúvidas na intervençãodas autoridades. A PSP fala em troca de tiros e diz que os suspeitos estavam armados com caçadeiras e pistolas, mas afinal no local só há projécteis de armas da polícia. Não foram apanhadas armas aos suspeitos, o que levanta grandes dúvidas sobre a forma como a força de elite da PSP actuou. O agente ferido foi atingido por disparos de colegas e apenas o rápido socorro evitou que a hemorragia lhe fosse fatal.
Por:Francisco Pedro/Tânia Laranjo / C.S.
O inquérito está agora a cargo da PJ que desenvolve já as primeiras investigações aos incidentes e à forma como a PSP entrou nas casas, já que não dispunha de mandados de busca. Uma averiguação paralela à da PSP e pedida pelo Ministério Público de Abrantes.
Por sua vez, os suspeitos vão ser ouvidos hoje de manhã em tribunal, depois de o procurador ter optado pelo adiamentod as inquirições para tentar perceber como é possível sustentar que incorreram no crime de tentativa de homicídio aos polícias quando a PSP não lhes consegue encontrar qualquer arma.
PERSEGUIDOS PELA PSP
Os suspeitos terão sido interceptados em Abrantes por serem suspeitos de terem assaltado e agredido dois polícias. O crime teria sido cometido na madrugada de sábado e um dos agentes ficou sem a shotgun que empunhava. Durante a tarde desse mesmo dia os elementos afectos ao extinto Grupo de Operação de Especiais (GOE) – agora integrados na Unidade Especial de Polícia – teriam visto quatro dos seis suspeitos. Perseguiram-nos até Abrançalha, onde aqueles se teriam refugiado num bairro. Três foram logo presos, mas Bruno fugiu para a casa de uma tia, onde estavam quatro crianças.
A shotgun foi entretanto encontrada ao princípio da noite de ontem, num local abandonado.
Oliveira Pereira, director nacional da PSP, confirmou ontem que não foram apreendidas armas a nenhum dos cinco detidos.
FAMÍLIA DOS DETIDOS QUEIXA-SE DA POLÍCIA
Os familiares dos cinco detidos queixam-se da forma agressiva co-mo actuou a polícia e do rasto de destruição que deixou na casa depois das buscas. "Entraram aqui aostiros, arrastaram-me lá para fora e partiram tudo", conta Maria Florinda Campos, irmã de dois detidos e mãe de outros dois.
Além de Bruno Campos, de 23 anos, que esteve barricado dentro da casa com três mulheres e quatro crianças durante várias horas, foram detidos Carlos Manuel Campos, 25 anos, Francisco Campos, 31 anos, António Campos, 34 anos, e um cunhado destes.
Manuel Campos, irmão de dois dos detidos, chegou a ser levado durante a tarde para a esquadra da PSP de Abrantes, mas foi libertado.
Quando as autoridades levantaram o cerco à aldeia de Abrançalha de Baixo, às 23h2o de domingo, a revolta dos familiares dos detidos contrastava com o sentimento de alívio evidenciando pela maioria dos moradores.
"Até que enfim que os prendem. Desde que vieram para cá que não havia sossego. Eu até tinha medo de passar em frente à porta deles, porque eram provocadores", disse um homem de meia-idade que recusou identificar-se.
Os suspeitos são considerados perigosos e um deles foi constituído arguido em Setembro de 2007 por ter causado distúrbios num café e ter mordido um polícia.
ATINGIDO NAS NÁDEGAS À QUEIMA-ROUPA
O agente Luís Barros, de 33 anos, foi atingido nas nádegas, sofreu uma perfuração na bexiga e encontrava-se ontem estabilizado, após ter sido submetido a uma segunda intervenção cirúrgica. Segundo Manuel Barbosa, director clínico do Hospital de Santa Maria, o projéctil "entrou pela nádega esquerda e saiu pela direita". No trajecto, "perfurou a bexiga, uma artéria e uma veia". O facto de a ferida apresentar sinais de queimadura, de acordo com informações do mesmo responsável, revelam que o tiro foi disparado de muito perto. O agente não corre perigo de vida e o prognóstico tem tido evolução favorável.
DIRECTOR NACIONAL DA PSP ESTEVE NO TERRENO
A operação que culminou com a detenção dos cinco suspeitos foi acompanhada no terreno pelo director nacional da PSP, Oliveira Pereira (à dir.) e pelo intendente Magina da Silva (à esq.), responsável pela Unidade Especial de Polícia (UEP) que integra os GOE. O Comando Distrital de Santarém, chefiado pelo intendente Luís Simões (ao centro) também esteve envolvido na preparação da acção. Os responsáveis recusaram revelar os meios envolvidos, mas houve dezenas de agentes e viaturas mobilizados. Só para transporte das Equipas de Reacção Táctica Encoberta da UEP foi necessário recorrer a seis carrinhas. Estiveram também no local as viaturas com meios tecnológicos para os negociadores e várias equipas cinotécnicas. Os inspectores da Polícia Judiciária de Leiria só foram chamados a Abrantes após a detenção dos cinco indivíduos.
PORMENORES
JUDICIÁRIA CHAMADA
A tensão entre a PJ e a PSP é evidente. O roubo da shotgun não foi de imediato comunicado à Judiciária, embora os assaltos armados sejam da sua exclusiva competência. A acção protagonizada em Abrançalha também foi feita sem o conhecimento da Judiciária, que só após o polícia ter sido atingido é que foi chamada.
USO DE ARMAS
A IGAI tem vindo a recomendar à PSP e à GNR o uso controlado das armas de fogo, para evitar ferimentos desnecessários entre civis. Este caso e a forma como o polícia foi atingido deverão dar agora origem a uma investigação interna, para apurar responsabilidades.
ABORDARAM À CIVIL
A forma como os dois agentes da PSP abordaram o grupo de suspeitos de assaltos na madrugada de sábado também está a ser alvo de críticas. Os polícias estavam à civil e acabaram rodeados pelos indivíduos que além de os agrediram ainda lhe roubaram a shotgun.
OUVIDOS HOJE
Os cinco suspeitos vão ser hoje presentes em tribunal por tentativa de homicídio.
NOTAS
TRÂNSITO - ESTRADAS CORTADAS
As forças de segurança mantiveram os acessos cortados à aldeia de Abrançalha de Baixo mais de sete horas, para fazer as detenções e proceder a buscas nas casas dos suspeitos
GOVERNO - OPERAÇÃO ELOGIADA
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, elogiou ontem a actuação da PSP. "Os agentes envolvidos na detenção agiram com competência, abnegação e heroísmo"
TRIBUNAL -CONCENTRAÇÃO
Ontem foram ouvidos no Tribunal de Abrantes os dois polícias agredidos e as autoridades continuavam em diligências. Dezenas de populares concentraram-se à porta do Palácio da Justiça
Está provado que a insegurança que reina a nivel nacional és mais pela incompetencia da comunicação e do profissionalismo das forças de segurança que pela qualidade dos nossos marginais. Dois agentes da investigação criminal ,deixarem-se desarmar,SÓ NOS FILMES DE ANTIGAMENTE,DEPOIS A QUALIDADE DA INTERVENÇÃO EM ABRANÇA-LHA NÃO É PRÓPRIA DE UM PAÍS CIVILIZADO.