Fim-de-semana trágico
Colisão frontal mata filha de Basílio Horta
Uma colisão frontal no IC1, cinco quilómetros a norte de Tunes, no Algarve, causou anteontem à tarde a morte da juíza Raquel Lemos Azevedo de Mendonça Horta, a filha mais velha de Basílio Horta.
Por:Ana Palma/Paulo Marcelino/H.M.
A notícia apanhou o antigo governante e actual presidente do conselho de administração da Agência Portuguesa de Investimento nos Estados Unidos quando se preparava para entrar num avião, de regresso a Portugal. 'Foi uma terrível tragédia que se abateu sobre a nossa família', disse ao CM Basílio Horta, que chegou ao Algarve pelas 03h00 da madrugada de ontem.
'A Raquel tinha vindo passar o fim-de-semana, com o noivo, a Olhos d’Água, onde temos uma casa. O acidente deu-se quando regressavam a Lisboa. Ela era juíza [nos Juízos Criminais de Lisboa] e tinha muito trabalho', adiantou, recordando ser Raquel Horta, de 39 anos, 'a mais velha' das três filhas e 'uma grande amiga dos pais, em especial da mãe, a quem era muito chegada'.
O ex-dirigente centrista deslocou-se ontem de manhãàmorguedo CentroHospitalardo BarlaventoAlgarvio (CHBA), em Portimão, onde o corpo da filha foi autopsiado e de onde saiu, cerca das 17h00, em direcção ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde decorreu o velório. 'Vai ser cremada, como era sua vontade', revelou ainda Basílio Horta.
Gravemente ferido no acidente que vitimou a noiva, o procurador adjunto David Manuel Mendes Pinto, de 47 anos, que conduzia o MG onde seguia o casal, continuava ao fim do dia de ontem internado no Serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar BarlaventoAlgarvio,em Portimão.
Segundo o CM apurou junto de fonte hospitalar, o magistrado, que deu entrada naquela unidade cerca das 19h00 de anteontem, sofreu fracturas no lado direito do corpo, nomeadamente nas costelas e rótula. Submetido a uma intervenção cirúrgica ao joelho, encontra-se livre de perigo. De acordo com a mesma fonte, David Pinto 'esteve sempre consciente e orientado'.
Quanto ao condutor do Opel Frontera que chocou de frente com o MG, saiu praticamente ileso do acidente, que está a ser investigado pela BT da GNR de Albufeira.
EX-DIRIGENTE DO CDS E CANDIDATO A BELÉM
Basílio Adolfo de Mendonça Horta da França, conhecido por ter sido um destacado dirigente do CDS e candidato à Presidência da República em 1990, é actualmente presidente da Agência Portuguesa para o Investimento. Aos 64 anos, perdeu uma das três filhas. Licenciado em Direito, foi secretário-geral do CDS entre 1975 e 1979, vice-presidente do partido por duas vezes nos anos seguintes e presidente do grupo parlamentar do CDS entre 1999 e 2001. Foi deputado durante 24 anos e desempenhou funções de ministro do Comércio e Turismo no II e V Governos Constitucionais, ministro de Estado do VI Governo Constitucional, ministro da Agricultura, Comércio e Pescas no VII Governo Constitucional, vice-presidente da Assembleia entre 1983 e 1985, conselheiro de Estado em 1983 e embaixador de Portugal na OCDE de 2002 a 2005.
MENSAGEM DE JUÍZES
António Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, disse ao CM ter enviado, ontem de manhã um telegrama à família da juíza Raquel Horta 'a transmitir os sentimentos e condolências da parte da Associação em relação a este trágico acontecimento'.
MAGISTRADOS ESTAVAM NOIVOS
Raquel Lemos Azevedo Mendonça Horta e David Manuel Mendes Pinto, ela de 39 anos, ele oito anos mais velho, conheceram-se na magistratura e tinham casamento marcado. Ambos licenciados em Direito, Raquel entrou no Centro de Estudos Judiciários em 1999 e optou pela magistratura judicial. David esteve no CEJ em 1995 e optou pelo MP.
Raquel foi nomeada juíza estagiária em 2001, passando pelo Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, no Palácio de Justiça, e Tribunal de Trabalho. Um ano depois foi nomeada para a comarca de Moimenta da Beira e em 2003 para o Bombarral. Em 2004 já era auxiliar nos Juízos Criminais de Lisboa e actualmente era efectiva no 3.º juízo. Quanto ao noivo, David Pinto, foi delegado do procurador da República em Sintra, Albufeira e Lisboa. Já procurador adjunto, passou pela Pequena Instância Cível, Juízos Criminais. Desde 1 de Setembro de 2006 está na Pequena Instância Criminal.
PSP E GNR REGISTAM 16 MORTOS NUMA SEMANA
Dezasseis mortos, 48 feridos graves e 283 ligeiros, num total de 2570 acidentes, é o balanço trágico da última semana nas estradas portuguesas, segundo os números divulgados pela Brigada de Trânsito da GNR, em patrulha nas estradas, e PSP, responsável pela sinistralidade nos centros urbanos.
A BT registou entre dia 21 e o último domingo 14 mortos, 28 feridos graves e 390 feridos ligeiros, como consequência de 1341 acidentes. Quanto à PSP, nas cidades e no mesmo período registou dois mortos e 303 feridos, 20 dos quais graves, em consequência de 1229 acidentes.
Recorde-se que dez das 16 mortes na estrada registaram-se ao longo do fim-de-semana prolongado, entre a última quinta-feira e domingo, conforme o CM avançou ontem. Cinco dessas vítimas mortais eram motociclistas – número ‘atípico’ por ser elevado, o que contraria a tendência de diminuição de sinistralidade, segundo a BT.
Sete dos mortos no fim-de-semana eram do Norte do País, três dos quais motociclistas que sofreram os acidentes em Matosinhos, Póvoa de Lanhoso e Barcelos.
CONDUTOR SEM ÁCOOL
O condutor do Opel que chocou de frente com o MGonde seguiam os magistrados fez teste de álcool no local e não acusou taxa acima do permitido por lei
RECTA COM VISIBILIDADE
O choque frontal aconteceu numa recta com cerca de dois quilómetros e boa visibilidade. A BT/GNR não avança causas para o acidente
TRÂNSITO INTENSO
O acidente no IC1, às 17h40, provocou filas de três quilómetros até às 19h15, na saída do Algarve após um fim-de-semana prolongado.
Em 1º lugar sentidos pêsames para a familia. Sou mãe de 1 jovem universitário de 19 anos q em Novº do ano passado sofreu grave acidente de viação.O amigo teve morte imediata,o meu filho esteve vários meses internado no hospital com TCE e vários traumatismos graves, ficando com sequelas definitivas. Depois de todo este drama, temos batalha judicial para pedir responsabilidades. Não aguento mais.